domingo, 7 de fevereiro de 2010

ENTREVISTA COM GALVÃO BUENO (PARTE FINAL)

Olá meus prezados amigos (as)!


Vamos dar continuidade ao bate-papo com o locutor esportivo e também narrador oficial da Fórmula 1, na TV Globo. Esta última parte da entrevista é bem interessante, pois, irá falar de Senna, Piquet. Lembrando que essa entrevista foi concedida a Revista Racing, no ano de 1997. Essa relíquia foi retirada dos arquivos pessoais do Apaixonado por F-1 - O seu blog da velocidade. Uma boa leitura!




RACING - A Volkswagen pulou fora, a Ford também. A Fiat anda capengando e só a GM continua a apoiar o nosso esporte, embora os autódromos tenham voltado a lotar. Qual a sua opinião sobre esta atitude das montadoras?


Galvão - Um absurdo, uma falta de visão, uma falta de respeito aos profissionais do setor. Do jeito que a coisa vai, os pilotos vão correr de quê O que vai sobrar? Os profissionais vão viver do quê? Vão ficar falando sozinhos? Agora que estamos com os autódromos cheios, nossos pilotos no exterior são uma geração que promete muito sucesso e os veteranos dão sua contribuição aqui no Brasil, não me parece justo que um cara engravatado atrás de uma mesa, que não sabe de nada e jamais tentou explorar o markenting do esporte, decida, numa passada de olhos em alguns papéis, o destino de um monte de gente "Ei, quanto custa esta porcaria? Dois milhões de dólares? Corta?" Pô, deve cortar é a mão dele. Acho uma grande sacanagem. Este dinheiro é mixaria para as montadoras. Isto é um show de incompetência. Tem que dar é porrada. (caindo na gargalhada).


RACING - Você é um mágico para transformar espetáculos ridículos em epopéias. Isto é só desempenho profissional ou você é um eterno otimista, um empolgado sem limites?


Galvão - As duas coisas. Sou um esportista na essência. Já ficou batido, mas não sou narrador: sou vendedor de emoções. E o esporte tem que ser pura emoção, então eu vendo o meu produto. Passar esta emoção é bonito porque chorei nos títulos do Ayrton, do Piquet, da Copa, sou um chorão. O cara que está me ouvindo também está na empolgação, quer torcer, xingar, mas quer acima de tudo ganhar. Não pode ser falso. Se o espetáculo for horroroso, você tentar dar uma ajudinha. Se for mais ou menos, você tenta fazer ficar bom. Se for bom, você faz uma festa.


RACING - Você é amado, mas também muitas vezes ridicularizado. O Zé Simão, colunista da Folha de S. Paulo, já te batizou de "Magdo", pelas besteiras que você falou...


Galvão - Pô, eu faço televisão para o povo, para milhões de pessoas, em alguns casos para dezenas de milhões, e sei que este povão gosta de mim. Não faço meu trabalho para A, B, ou, C, muito menos para colunistas ou intelectuais. Eles que digam o que quiserem porque não tenho a menor preocupação. Este Simão deve ter ficado na bronca porque, num vôo da Copa, a primeira, classe estava lotada de Dallas para San José e tive que ir para a econômica. Fiquei sentado do lado dele. Pois é, meus patrões me botam na primeira; os dele, não. Aí, tinha um monte de torcedores, foi fotografia, autógrafos, bate-papo o tempo todo, e ele queria dormir. Deve ter ficado puto.


RACING - E quando esta crítica parte de um tricampeão de Formula 1, como o Nelson Piquet? O bicho andou com a cachorra, né?


Galvão - É, ele sempre esteve com a cachorra né? Mas isso me chateia um pouco, queria deixar enterrado...


RACING - Dizem que a bronca vem de 1980, no seu tempo de TV Bandeirante. Numa decisão da F1, você foi entrevistá-lo ele não deu muita atenção, respondia em monossílabos. Você parou várias vezes a gravação, não aguentou e mandou nosso futuro campeão tomar no ...


Galvão - Pintou realmente. O Nelson é um grande piloto, um gênio. Acho que o que tinha de acontecer já aconteceu. Ele bateu de lá, eu bati de cá. Sempre reconheci o valor dele e lembro que antes de haver o "Ayrton Senna do Brasil", havia o "Nelson Piquet do Brasil". Acho que passou, e outro dia fiquei muito satisfeito. Ele deu uma entrevista de página inteira para O Globo e não mencionou meu nome uma vez. É um progresso, não é?


RACING - Schumacher partiu para a ignorância em cima do Villeneuve em jerez e a mídia caiu matando. O próprio Schumacher já havia feito isso. Prost e Senna também, sem maiores repercussões. Afinal, já não se perdoa mais os derrotados ou mudou o enfoque e a cobrança pela ética agora é maior?


Galvão - Está na hora de a cobrança pela ética ser maior e de a F1 tomar atitudes mais imediatas e definitivas para não se desmoralizar. A mais indecente foi a do Schumacher no Damon Hill em 94. Ele havia batido na parede e não ia andar mais 10 metros. Burro foi o Hill, que não soube esperar o momento certo para sair fora. Em Jerez, se a manobra tivesse dado certo o Schumacher teria sido campeão e a gente estaria esperando 20 dias um julgamento.


RACING - O Niki Lauda andou sugerindo que a F1 adotasse um árbitro que daria cartões vermelhos e amarelos para os pilotos no mesmo instante, como no futebol...


Galvão - Acho perfeito, temos que ter decisões rápidas, sob pena de desmoralização.


RACING - Mas se o árbitro for um nazista do tipo de Jean-Marie Balestre?


Galvão - É um risco. mas poderiam ser dois, três caras. O que importa é que o público do próprio autódromo vá para casa com o resultado.


RACING - Qual foi o momento mais especial da carreira do locutor Galvão Bueno?


Galvão - Vitória do Ayrton no GP do Japão em 88. Ficou na largada, passou em vigésimo e alguma coisa, tinha que ganhar, foi para cima. Aí, foi uma bela história e eu lá de dentro vivia tudo, como amigo e narrador da prova. Foi sensacional, uma coisa de eternizar. O Ayrton ganhou, foi campeão e eu vivi um momento inesquecível. O outro foi na Copa de 94. Os puristas ainda afirmam que é preferível perder jogando feio. O cacete! Nada é mais bonito que vencer...


Um bom dia a todos e até o nosso próximo encontro!!!

2 comentários:

  1. Mas nosso querido Gavião criticava Schumacher, torcendo abertamente por Hill em 1994 e a partir de 2000 com a volta das conquistas pela Ferrari rasgava elogios.
    E alguns anos após, Bueno e Piquet dividiram uma transmissão do GP Brasil, e foi uma saia justa e tanto.

    Faez.

    ResponderExcluir
  2. Olá Faez!
    Eu tenho certa lembranças do Galvão levantando um bolão para o Hill em 94 sim. Deve ter sido por Hill ter sido companheiro do Senna na Williams naquele fatídico ano.
    Quando Schumacher ingressou na Ferrari e a partir de 98 era uma tal de "segura o alemão" ou "lá vem o Schumy" de encher as bolas dos torcedores do Schumacher.
    Realmente o Piquet junto com o Galvão é uma transmissão para lá de "pobre".

    Parabéns pela participação!

    ATENCIOSAMENTE
    CLAUDIO HELIANO

    ResponderExcluir

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“Em um evento automobilístico, há diversos itens que começam a ser analisados muito tempo antes da data prevista: condições da praça esportiva, capacidade de público, como as pessoas vão chegar ao local e retornar a seus lares... Em caso de um acidente, quais condições e como será feito o atendimento, quantos profissionais estarão à disposição, quais as condições dos equipamentos? Em caso atendimento médico mais aprimorado, como será feito este atendimento e de que forma a ambulância deixará o local? Para os participantes, as análises vão das normais desportivas (regulamentos) às condições do equipamento, se as condições da prova desportiva oferecem a segurança necessária”, acentua Gatti.


Fonte de pesquisa e reprodução: CBA

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"O treino foi muito bom, terminando em segundo lugar e podendo ajudar a equipe Panasonic Jaguar Racing a trabalhar no ajuste do carro ao longo do dia. O Nelsinho Piquet (titular do carro) é um grande amigo e me ajudou a melhorar a cada saída e fiquei bastante contente com o resultado, aproveitando bem esta ótima oportunidade. A equipe ficou feliz comigo e com o Paul (di Resta, que também esteve testando com o time) e tivemos um dia bem produtivo”, diz Fittipaldi, que deu 60 voltas no teste.